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Mundo do Sítio do Pica-pau Amarelo

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O Bloguinho nasceu em 9 de setembro de 2010

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sábado, 20 de outubro de 2018

Dia do Poeta - 20 de Outubro


Olivaldo Júnior

Todo mundo acelerado,
com a mente tão confusa,
e o poeta ali sentado,
à mercê de sua musa...

Cada estrela matutina,
decadente, sem fulgor,
ao poeta, é vã menina
que sucumbe à própria dor...

O poeta está doente,
sem vontade de viver...
Mas um verso, de repente,
faz o pobre renascer!...

Renascido da ilusão,
o poeta se constrói;
das estrofes, tira o pão
cujo tempo não corrói...

Pelas letras - uma a uma,
o poeta forma o verso;
logo, logo, após a bruma,
vê brotar seu universo.

Sou poeta, meu amor,
faço em versos cada instante;
como fosse beija-flor,
beijo a flor do amor faltante.

Ao morrer, serei poeta
bem maior que fui em vida,
dando à rima luz completa,
na obscura despedida.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um "causo" com Saci


Para o Dia do Folclore de 2016
22 de agosto: Dia do Folclore
Olivaldo Júnior

        Não é que dia desses, numa rua da cidade de Mogi Guaçu, Estado de São Paulo, no país do pau-brasil, quando eu menos esperava, ela passou? Os mesmos cabelos brancos, os mesmos óculos, a mesma carinha de quem fez muita arte com os livros e não se livra mais deles, a Dona Benta, a adorável vovó de Pedrinho, Narizinho, Emília e de todos nós, a eterna vovó passou por mim e, como se não fosse uma personagem, sentou-se num dos bancos lá do Parque dos Ingás e se pôs a esperar o próximo ônibus para o famoso sítio. Eu, com o coração aos pulos, fiquei em dúvida, tocado de emoção e, num gesto de extrema ousadia, sentei-me ao lado dela. Será que só eu a enxergava? Será que ninguém a via naquela estação rodoviária municipal? Tomado de súbita coragem, arriscando vê-la esvanecer-se em fumaça, toquei-a no braço e, sem piscar, lhe perguntei:
        - Dona Benta, é a senhora?! 
        Segura de si, numa calma que só dela, me disse:
        - Sim, rapaz, sou eu. Perdão, mas já nos conhecemos? Qual a sua graça? 
        Estupefato, sem poder acreditar em quem eu via e ouvia, lhe respondi:
        - Olivaldo Júnior, vovó. Era, quer dizer, sou muito fã da senhora. Cresci assistindo a suas aventuras na tevê. Meu Deus, nem posso acreditar que estamos conversando!...
        - Pois acredite, meu jovem. Estamos não apenas conversando, mas sentados lado a lado, esperando ônibus, um fato tão comum, tão trivial, tão cotidiano quanto os maiores sonhos e a mais pura realidade. Lobato que o diga...
        Querendo aproveitar ao máximo aquele instante, para mim, de puro encantamento, quis saber como é que estavam os amigos lá do Sítio. 
        - Todos bem, graças a Deus. Narizinho tornou-se investigadora. Pedrinho, caçador de recompensas. Emília virou uma das grandes atrações do Cirque du Soleil, a danadinha!... Tia Nastácia, uma das grandes vencedoras daquele famoso programa de culinária. Como se chama mesmo?... Ah, me lembrei! Masterchef. Enfim, cada um se saiu bem a seu modo. Eu, como vê, não mudei muito. Ando por aí, buscando um novo ônibus para algum lugar em que me escutem. Você está me ouvindo?
        Boquiaberto com tanta novidade, quis saber do malandrinho mais negro que a noite sem lua, que o poço sem fundo do fim do mundo. Quis saber do Saci.
        - Ah, você não soube?! O "capetinha" está no topo da lista dos atletas paraolímpicos! No Atletismo, ninguém o vence. Um orgulho! Nós, que armamos até arapucas, armadilhas para prender o danado, não podíamos prever o seu sucesso... Fez de um limão a limonada de sua vida. Mas o que você faz mesmo? Tem cara de escritor. 
        - Acertou, Dona Benta! Quer dizer, escritor, escritor mesmo, não sei se eu sou. Mas tento, todo dia, alguma coisa. E o Visconde? Que fim levou, vovó?
        Ajeitando seus óculos de aros grossos, atenta, como se quisesse sair bem na foto, me disse:
        - Visconde fundou nossa Academia Tucanense de Letras, a qual vai muito bem, com Machado de Assis como Vice-Presidente, Monteiro Lobato como Suplente Número Um e, quem diria, eu, Dona Benta, como Presidente. Acredita? Só o Visconde mesmo!... - E se riu.
        Nisso, enquanto eu também me ria com as novidades, um ônibus como aqueles de antigamente adentrou o Terminal Rodoviário dos Ingás, e, se despedindo de mim com um beijinho na testa, lá se foi Dona Benta com seus amigos de outro tempo, para o Sítio do Picapau Amarelo, para as terras de Lobato, onde exist(e)ia petróleo, sonhos e muita, muita imaginação. 
        - Adeus, vovó! Gostei de encontrá-la! Até logo!...
        Ops, o ônibus para o bairro em que moro já vem. Licença, eu já vou. Feliz Dia do Folclore pra nós!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Pisca-pisca



Olivaldo Júnior
 
Das luzinhas
'pisca-pisca',
um anjinho
me confisca.
 
Das luzinhas
'pisca-pisca',
um beijinho
me 'belisca'.
 
No dezembro,
que reluz
até o céu,
 
só me lembro
de Jesus
e de Noel.


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Parabéns para o Maurício! (Pelos 80 anos de Maurício de Sousa)


Olivaldo Júnior

Para o cartunista Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, nascido aos 27 de outubro de 1935

Cebolinha já "bolou"
muitos planos com Cascão,
e "Maulício" festejou
com a Mônica e o Sansão.

Magali já devorou
melancias de montão,
e Bidu comemorou
com biscoitos e ração!

Chico Bento irá chegar,
de carroça, com Rosinha,
para a gente celebrar

o sucesso da turminha
que o Maurício fez brotar
do papel, duma tirinha.


Mogi Guaçu, São Paulo, vinte e sete de outubro de 2015.

quarta-feira, 11 de março de 2015

14 de Março é dia da Poesia!


Trovas para 14 de março: Dia Nacional da Poesia
por Olivaldo Júnior
 
Poesia, Poesia,
onde é mesmo que se esconde
quando toda a fantasia
quer brincar de esconde-esconde?!
 
Castro Alves, bom poeta,
salva os pobres imortais
de morrerem, não de seta,
mas de adeus e tristes ais!...
 
Cada verso que dedico
para os tristes, na ilusão,
mais alegre, sim, eu fico,
pois sou eles, coração...
 
Meu amigo mais querido,
toma logo as minhas trovas:
eu a fiz de um estampido,
como nascem as supernovas.
 
Ao ficar sem poesia,
quis comprá-la no mercado;
entretanto, quem diria,
se esgotou já no "atacado"!...

sábado, 29 de novembro de 2014

Dona Iara e Seu Saci




 Olivaldo Júnior



No clarão do matagal,
onde estrelas vêm aqui,
vivem juntos, afinal,
Dona Iara e Seu Saci.
Uiva a brisa fantasmal,
e se cala o bem-te-vi...
Só se escuta, no arraial,
Dona Iara e Seu Saci.
Negra lua nos cabelos,
Dona Iara se derrete,
reverbera seus "apelos"...
Seu Saci, sem atropelos,
acocora-se e se mete
nesse rio de mil novelos.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Para o Dia de São João


Olivaldo Junior
Bandeirinhas dão bandeira
de que a festa vai ser boa:
cada estrela brasileira
brilha forte e ri à toa!
Batizando Jesus Cristo,
ou dançando na quadrilha,
São João é mesmo isto:
santo em volta da família.
Coração de São João
tem seu gás sobressalente;
lá na Rua do Sabão,
não cai não, ó minha gente!
Fogueirinha, quase fria,
no 'terreiro' de meu peito,
fora, um dia, a vã folia
do braseiro mais perfeito.
Quando o frio corre a espinha,
o chamego se atropela,
e a pipoca mais quentinha,
salta fora da panela!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Trovas para a mamãe


por Olivaldo Júnior

A mamãe que Deus me deu
faz de conta que eu não sei
que ela sempre percebeu
no seu filho um novo “rei”.



Um anjinho de fraldinha,
bem “arteiro” e “crianção”,
canta e dança na cozinha
quando a mãe faz macarrão.


A filhinha mais querida,
o filhinho mais amado,
ambos têm a luz da vida
                                                                  no colinho abençoado.



sábado, 17 de agosto de 2013

Dia do Folclore



Olivaldo Júnior
Comemora-se em vinte e dois de agosto, em todo o Brasil, o Dia do Folclore. A palavra tem origem no inglês antigo e quer dizer “cultura do povo”. Você já tem o seu eleito nesse dia especial? Pode ser a Cuca, o Curupira, o Saci, mas, também, pode ser o que você faz quando, ao receber uma visita que não se manca, banca a avó e coloca uma bela vassoura atrás da porta, pois quem demora demais em casa alheia sem perceber que incomoda só pode ser mesmo uma bruxa, ou um bruxo. Pé de pato, mangalô, três vezes! Dou três toques na madeira e me censuram: é TOC! Mas não se tocam que é apenas reminiscência de folclórica lembrança, um velho hábito que me habita e me religa ao que, em nós, é indissociável da cultura de cada casa, cada lar, que tem seu próprio jeito.
O jeito com que fazemos a comidinha do dia a dia, o modo com que entendemos que dor num dos ossos que um dia quebramos é sinal de chuva, bolinhos de chuva (nham, nham), tudo isso é folclore, lógica de antepassados ainda em franca exibição nas telas do agora. Agora é o folclore que um dia será lembrado como “coisa de pessoas daquele tempo”. O tempo é o senhor do folclore, que nos enreda e enrosca em velhas cantigas, velhos sentidos para gestos ainda feitos. O cravo brigou com a rosa, e o desquite não sai, pois é sempre da briga que a gente mais lembra. O sapo cururu, na beira do rio, já está velhinho, mas sua esposa ainda “faz rendinhas para o casamento”...
O que eu quero dizer é que o melhor é que se comemore o folclore que a gente faz, porque todos somos lendas onde quer que estejamos. Ninguém conhece do outro nada mais que sua lenda, uma parlenda da existência a que chamamos vida. Viver é um estado folclórico, por isso, faça você mesmo a sua história, seus passos entre os passos de outras lendas, outros seres, que todos têm um quê de Emília e de Lobato no espírito.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

UMA ESTRELA



Olivaldo Júnior


            Era uma vez uma estrela. Mas não era uma estrela como outra qualquer que está no céu. Era uma estrela da terra. Tinha caído do céu havia um tempo, mas ainda não estava acostumada com a vida terrestre. Estrela não se acostuma muito fácil com a vida que a gente leva. Vales, selvas e vilas: mas a estrela, caída no meio de um monte de estrume, não brilhava, nem nada. Seu DNA não era dínamo para esgarçar as chinelas pela estrada. A estrela não andava. Portanto, foi preciso esperar. Um dia, sem que esperasse, quase que uma cobra a comeu. Mas, por sorte, passou um carro velho que, espantando o bicho, fez a estrela feliz. O tempo diria se ela sobreviveria ao seu destino. O ninho de uma estrela estava sendo um monturo.

            Um dia, sem que a estrela tivesse mais por que esperar, passou uma libélula que, se esgueirando no esterco, tocou a pele da estrela, sujinha de estrume de vaca brava, sem toque, nem truque de excelsa condição. A vida ensina. A mina de estrelas tinha deixado cair uma das suas. As estrelas também caem. Morna, a estrela grudou no inseto transparente que lha sobrevinha, incauto. Atrelada àquela libélula, pôde chegar à cidade e, ao passarem por um poste de iluminação da via pública, saltou de banda das frágeis costas da inocente a salvá-la. Salvadores, muitas vezes, são ingênuos. Socorro também surge sem querer. Bem que alguém podia ser livre.

            A estrela estava no alto de um poste de rua, tentando se equilibrar, sondando o terreno. Não estava mais num monte de estrume, sem eira nem beira que a fizesse ser alvo de cobras, nem de aves de rapina. Estava “por cima”. Não estava no céu, mas chegaria lá. Quem não duvida, pode bem alcançar.

            A noite avançava. Fazia um tempo de chuva. O vento soprava. A luz daquele poste estava quebrada. Passou um vento mais forte, que empurrou a estrelinha para cima do velho bocal do novo poste. 
               Assim, a luz voltou.





quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Lenda do Girassol


         
Olivaldo Júnior

      Quando Deus fez o mundo, também fez o girassol. 
      Girassol, no começo de tudo, era a flor como a conhecemos hoje. Mas nunca se voltava para cima. Ele tinha medo! O Sol (assim mesmo, em letra maiúscula) era o que dava medo no pobre e cabisbaixo girassol, que nunca (nunca!) olhava para o céu.
            Até que um dia, como se isso fosse muito importante, pousou um pássaro no arbusto ao lado de onde estava o primeiro girassol que foi criado. A beleza daquele pássaro atiçou a curiosidade da flor, que, encabulada, contemplava apenas de banda o que aquela ave tinha de belo. Era o pássaro dela.
            Passou um vento, e, com ele, um bando de outras aves, iguais àquela que havia pousado tão perto daquela flor. A esperança de amizade estava prestes a partir. O girassol, num gesto tênue, pouco a pouco se virou para ver aonde iria seu amigo passarinho. Foi quando viu o Sol. Grande, quente, imponente e gritante Sol! Não se lembrou do pássaro. Encantou-se pela luz solar, sem poder deixar de olhá-la, nem um minuto a menos sequer. Nascia, enfim, o girassol.



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